Ao contrário do relato do meu primeiro parto, este vai ser muito breve porque na realidade não há muito que contar.
Tudo começou na qUinta-feira 24 de Março. Fui à minha consulta semanal e após ter andado a discutir com o médico as potenciais complicações que poderiam surgir numa indução, dei-me por vencida e deixei-me convencer a marcar a induçâo para segunda-feira dia 28. Na verdade sempre me deu tempo para deixar tudo organizado no fim de semana e até de ir à depilação na segunda de manhã.
Conforme combinado jantei às 7:00pm e dei entrada no Hospital antes das 8:00pm. Fiz o check-in e ainda tive tempo de ir visitar uma amiga que tinha tido um bébé nessa mesma tarde no mesmo hospital e com o mesmo médico. Depois troquei de roupa e descansei um bocadito.
O médico Só apareceu às 23:00. Verificou que estava tudo na mesma e colocou-me uma ´fita´(era mesmo uma fita de seu nome Dinoprostona). disse-me para dormir que na manhã seguinte viria para me observar de novo. Assim fiz, ou melhor, tentei. É que meia hora depois comecei a sentir umas contracções. A primeira meia hora foi suportável, mas a intensidade da dor começou a aumentar e tive de pedir alguma coisa para aliviar as dores. A enfermeira muito incredula dizia que deviam ser só umas moinhas e para aguentar mais uma hora que ainda era muito cedo para eu estar a sentir os efeitos da fita. Observou-me (ele há pessoas pouco dotadas para estas coisas. eu já tinha tido um filho e sabia o que estava a sentir, mas a enfermeira adorava chamar-me piegas e não me dava qualquer crédito e ainda por cima não tinha nada de meiga, cada vez que me observava até as lágrimas me vinham aos olhos com o jeito da senhora....) e disse que não havia dilatação suficiente para epidural e para eu deixar de ser piegas porque senão tinha que me ligar ao ctg. Lá me aguentei mais meia hora, mas as dores eram já demasiado fortes de tal forma que já nem conseguia falar. O meu marido foi chamar a enfermeira e pedir para me dar alguma coisa para as dores porque eu estava aflita. Lá veio ela ligar o ctg, mas nem se deu ao trabalho de ver como estava a dilatação nem tão pouco de ver o ctg...o meu marido suava só de olhar para a intensidade das contracções (e claro por me ver a sofrer). Passados 10 minutos o meu marido foi pedir-lhe para me dar a epidural e ela lá veio de má vontade ver como estava a evoluir. Tal não foi o seu espanto quando verificou que já estava com 6 cm de dilatação e que em menos de 40 minutos tinha dilatado 5 cm. Pedi-lhe para me dar a epidural antes que fosse tarde demais. Assustadissima lá foi ela chamar o anestesista e ligar para o médico para vir a correr (sim ele por pouco não estava lá). Em 5 minutos tinha o anestesista ao pé de mim a tratar da epidural, mas um minuto antes de ele ma comecei a sentir vontade de fazer força. Mais uma vez a enfermeira não acreditou e mandou dar a epidural. Eu continuei a dizer que estava na hora porque sentia muita vontade de fazer força...até que finalmente chegou o meu médico. Observou-me e mandou-me para a sala de partos. Foi a correr por a bata e lá foi ter comigo.
Nessa altura eu já estava sob o efeito da epidural e não sentia nada. Assim esteve o anestesista e uma enfermeira a apalpar-me a barriga para ver quando vinham as contracções para eu fazer força. Lá estive a fazer força, tudo normal, até que de repente me vejo numa cena tipo filme. A bébé estava presa, mesmo após a episiotomia o médico tinha dificuldade em retirá-la. Não estão bem a imaginar o médico começou a puxar, a puxar, quase que teve de me por um pé em cima para conseguir retirá-la...
[depois perguntei-lhe o que tinha acontecido e ele explicou-me que a bébé saiu de ombros abertos, o que não é normal e que por isso para além da episiotomia também ´rasgou feio´, ou seja, para o lado errado].
Resultado levei muitos pontos, mas devo dizer que tudo voltou ao lugar...sem complicações, só os primeiros dias é que foram mais complicados....e até as enfermeiras que me observaram ficavam horrorizadas com o que viam...
Assim ás 2:45 da manhã nasceu a madalena...e a partir dai já sabem...
Conclusão: desta experiência que em tudo foi diferente da anterior, consegui ver coisas boas e más.
Vamos primeiro às boas:
- Pelo facto de ter sentido tudo, consegui aperceber-me do trabalho que os bébés fazem para nascer. No parto anterior tinham-me dado a epidural com uma dilatação de 4 cm, pelo que apartir dai deixei de sentir o que quer que fosse e nunca me apercebi que o bébé tem um papel muito importante na fase de expulsão. Acho que apesar de toda a dor porque passei, foi bonito sentir a bébé a ajudar...
- A rapidez com que tudo se passou.
- Contra muitas previsões consegui tê-la de parto natural, apesar dos seus 3,800 kg e os seus 53,5cm (é que eu sou de tamanho XXS).
Quanto a tudo o que correu mal, não me apetece falar mas nisso...foram tantas as coisas...